O conflito que se vive no Leste da Europa obriga os consumidores a fazer novas contas ao rendimento mensal face à escalada de preços que se faz sentir, semana após semana, a cada ida ao supermercado. A escassez de matéria prima, como os cereais, e a subida do valor da energia ajudam a explicar estas alterações, mas poderão os portugueses suportar o mesmo cabaz por muito mais tempo?

No setor agroalimentar, há quem já fale de um “aumento brutal” de preços nos próximos meses. Uma tendência que, embora possa ser mais evidente, não é de agora. No final de 2021, os preços dos bens alimentares já registavam algumas subidas. O impacto da covid-19 na cadeia de abastecimento, o aumento do custo das matérias-primas e a subida dos preços da energia, associada à seca que o País atravessa, têm contribuído para o incremento do custo dos alimentos, com impacto na fatura apresentada aos consumidores.

Se de alguma forma pudéssemos considerar o aumento dos preços um processo mais discreto, os sinais de mudança fazem-se agora sentir a passos largos a cada ida ao supermercado, e o conflito que se vive no leste da Europa deverá criar ainda mais instabilidade para a economia global.

Portugal é, historicamente, um país muito dependente dos mercados externos, importando cerca de 80% dos cereais consumidos internamente. A Ucrânia tem sido, até à data, um dos nossos maiores fornecedores. Em 2019 exportou para Portugal cerca de 244 milhões de euros em bens, entre os quais bens agroalimentares, maioritariamente milho, colza e óleo de girassol. Um cenário particularmente relevante, sobretudo se a Ucrânia deixar de ser uma opção para abastecer o território nacional – uma visão incerta que, associada à escalada de preços dos combustíveis, poderá ter consequências extremas na distribuição de bens alimentares, na produção agrícola e nas despesas familiares com alimentação.

Algumas empresas de distribuição e associações representantes do setor agroalimentar em Portugal já antecipam aumentos e, algumas cadeias de distribuição estão já, inclusive, a impor limites à compra de produtos como o óleo de girassol.

No panorama atual, todos estes fatores representam já um aumento no preço do cabaz por parte dos consumidores. A volatilidade dos mercados e dos próprios acontecimentos não nos permitem tirar conclusões, enquanto organização de defesa do consumidor, consideramos que os impactos devem ser absorvidos por todos os intervenientes na cadeia e não apenas pelos consumidores. Acreditamos que está a ser feito um esforço nesse sentido.

Rita Pinho Rodrigues

Head of Public Affairs & Media Relations

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