Em 2008 descobriu que tinha cancro da mama. Nesse dia começou um “pesadelo” que Fernanda Silva conseguiu ultrapassar e que hoje lhe alimenta o desejo de criar uma associação para ajudar outras pessoas na mesma situação.

“Não era o facto de morrer que me assustava, mas sim o sofrimento que iria ter e causar às pessoas que mais amava”, conta Fernanda Silva, em entrevista ao RA (edição impressa), recordando o momento em que recebeu a notícia do médico.

 

P> O que a motiva a querer criar a associação “Cancro hoje e agora”?

R> Muito simples… com a depressão e os tratamentos diários de radioterapia em Janeiro e Fevereiro de 2009, muito fraca e debilitada, assistia a outras situações horríveis. Na televisão só se viam notícias de falências, de pessoas a chorar porque de um momento para o outro tinham ficado sem emprego, miséria pelo mundo fora e apenas meia dúzia a enriquecer.

Como se não bastasse, um mês e meio após a minha cirurgia, o meu patrão (mais ligado ao estrangeiro, tal como eu) também adoeceu gravemente (AVC). Para além disso, a crise também lá se fazia sentir fortemente. Tempos muito difíceis para todos, que mesmo assim, não deixaram de me apoiar dia após dia, deixando-me descansada e dizendo que tudo estava sob controlo, quando por vezes não era bem assim.

Orgulho-me de dizer que tenho muita sorte por fazer parte da grande família que é a JABEN, onde todos rezaram por mim, no dia da minha operação. Estava eu já na maca para seguir para o bloco operatório, quando o meu telemóvel toca. Era o meu patrão Vasco e a nossa chefe de escritório, grandes amigos, a dizerem: “boa sorte! Estamos todos consigo!”.

Ora, se eu tive tanta sorte, há muita gente que nada tem. Por isto, sinto que tenho o dever, mas principalmente a necessidade de ajudar quem precisa. Isso deve ser feito na hora e não horas depois.

(entrevista completa na edição impressa)

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