A conversa “o desenho enquanto prática, as novas tecnologias e a produção industrial” e três novas exposições a inaugurar darão continuidade, no próximo sábado, ao ciclo “O Desenho como Pensamento” que decorre em Águeda desde setembro de 2020 até maio de 2021.

Este ciclo inclui uma seleção de exposições de alguns dos mais conceituados artistas nacionais que privilegiam o desenho na sua obra e integra 18 exposições individuais, uma exposição coletiva (que decorre no Centro de Artes de Águeda), uma exposição da coleção Norlinda e José Lima e seis conversas temáticas. O acesso ao público é gratuito.

No sábado (dia 9) serão inauguradas as exposições individuais dos artistas Ana Vidigal e Luís Paulo Costa e a exposição documental “O Desenho no Processo Industrial”, todas com curadoria do aguedense Alexandre Baptista. Estarão expostas até 14 de fevereiro.

PROGRAMAÇÃO PARA SÁBADO

> Conversa “o desenho enquanto prática, as novas tecnologias e a produção industrial” (9h30 no Café Concerto do Centro de Artes de Águeda). Convidados: André Almeida (administrador e sócio gerente do Grupo AMOP), Augusto de Sousa Coelho (professor e designer da Universidade de Aveiro), Daniel Caramelo (designer de equipamento) e Emanuel Barbosa (designer, professor e curador). Conversa coordenada por Alexandre Baptista

> Exposição “The Girl Who Lost Things” da artista Ana Vidigal

11h00 na Sala Estúdio do Centro de Artes de Águeda

> Exposição Documental “O Desenho no Processo Industrial”

11h30 no Espaço Canário Lucas

> Exposição “Cartas que não escrevi” do artista Luís Paulo Costa

12h00 no Salão de Chá do Parque da Alta Vila

O DESENHO NO PROCESSO INDUSTRIAL

“A representação como processo de registo no desenho é extensível a diversos meios, não ficando refém do processo artístico, e uma das áreas em que esta prática tem características específicas e com a qual todos nos relacionamos no quotidiano, sem o percebermos, é a do design de produto”, explicou Alexandre Baptista, justificando a integração desta temática particular no ciclo “o desenho como pensamento”.

Para o mentor do ciclo, que tem como promotor a Câmara Municipal de Águeda, o concelho de Águeda justifica que esta temática seja discutida dada a “sua tradição industrial” e a existência de “muitas empresas se têm destacado pelo desenvolvimento e inovação de produtos”. Por isso, acrescentou Alexandre Baptista, “era fundamental revisitar essa memória coletiva, observando desenhos e documentos que, ao longo do tempo, caracterizaram o cunho de um sector vital na vida de todos nós”.

Para o artista plástico de Águeda, “embora o desenvolvimento tecnológico tenha proporcionado distintas ferramentas e técnicas de representação, importa referir ou destacar o registo manual do desenho no decorrer do processo criativo”, por ser “um modo simples e rápido para se percecionar a primeira ideia de um produto ou objeto”.

Alexandre Baptista divide o processo em três fases: a primeira dedicada ao “desenvolvimento de múltiplas ideias” como croquis, esboços e desenhos rápidos; a segunda à “seleção e discussão de algumas ideias aliadas ao conceito estipulado para o fim em causa”; e a terceira “à representação e elaboração de uma proposta detalhada com imagens e desenhos de pormenor que permitem a sua produção em escala industrial”.

O ciclo que decorre em Águeda procura sublinhar que “o desenho faz parte de um pensamento visual que move o trabalho do artista” e que “a obra de arte nasce como uma interação entre visão e pensamento, sendo corporizada grande parte das vezes através do recurso a este meio de registo”. Porque “as imagens desencadeiam processos no nosso cérebro que as palavras não reconhecem. Desenhar não é apenas um processo artístico, é também pensamento. É apropriar-se da realidade, dar-lhe forma. O desenho é uma das formas mais antigas e perfeitas de interpretação e criação do mundo”.

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