1. Uma vítima de violência doméstica, fugindo do marido, foi colocada numa instituição com os dois filhos, longe do seu local de origem. Um mês depois arranjou uma ocupação, alugou uma casa e abandonou a instituição, á procura de uma nova estabilidade, de um novo rumo para a sua vida.

Ora, esta situação de sucesso, infelizmente muitas vezes não conseguida, transporta em si um caso estranho que foi a reacção da instituição. Primeiro quis que a dita vítima, assinasse um documento de estadia de seis meses , o que esta não fez, depois comunicou-lhe que deveria tirar os seus pertences do quarto de imediato, contra o pagamento de cerca de 200€, devido segundo a instituição, ao pagamento do jardim de Infância das crianças que usufruiriam do mesmo cerca de um mês uma e três dias a outra.

A situação é tão mais estranha, não só devido aos elevados valores, mas mais ainda, quando a Segurança Social com o nosso dinheiro, apoia a instituição e cobre algumas das suas despesas. Interpelada a direcção da instituição, não pela mãe dos menores, logo a atitude mudou, informando esta que as despesas estavam cobertas e tinham sido enviadas para a contabilidade.

Isto é, a instituição estava certamente a aproveitar-se dos dinheiros dos contribuintes, tentando receber em dois carrinhos, um só serviço prestado e que já estava pago pelo estado.

Crise de carácter!

 

2.            Uma senhora lavada em lágrimas, acode aos serviços, por não ter rendimentos que lhe possam cobrir as despesas com os dois filhos estudantes, a casa,  luz, gaz, agua, medicamentos para as maleitas que já não toma por não os poder comprar, carregando ainda consigo uma dívida de cerca de 100€ / mês de compras em tempos mal feitas. O seu rendimento disponível para alimentação, vestuário e vida sua e dos filhos, é de cerca de 170€ mês. Os serviços, cumprindo as leis, referem-lhe os gastos mal feitos anteriormente, os tempos de crise, as normas do RSI, não contribuindo em nada para a solução do problema, nem para a cura da depressão que transporta e lhe esfrangalha os nervos, pelos medicamento que não toma porque não tem dinheiro para os comprar.

Crise de sensibilidade!

 

3.            O senhor deputado da nação Ricardo Rodrigues, queixa-se de que os cerca de 60€ que recebe por dia (além do ordenado) para despesas de estadia em Lisboa, são manifestamente pouco, apelando a que a cantina da Assembleia da Republica esteja aberta no período nocturno, com as despesas de funcionamento inerentes, permitindo que faça refeições mais em conta.

Crise de estupidez crónica!

 

4.            O Estado após injectar milhões de euros do nosso dinheiro no BPN e BPP, salvando apostas de risco de banqueiros sem escrúpulos e de depositantes á espera da galinha dos ovos de ouro, vem agora em tempo de crise, em manifesta subserviência, ouvir essa classe de pessoas honestas e sem mácula que são os banqueiros, para que definam as formas de a resolver, sem que os seus interesses sejam postos em causa.

Crise de poder!

 

5.            O Poder politico (nós todos!), andou a brincar anos sem conta, ao agora mando eu, agora mandas tu, deixando que os detentores do dinheiro, este sem côr, se apoderassem do sub mundo dos negócios, dos interesses, dos compadrios, da corrupção, sugando o esforço de todos, sem dó nem piedade.

A crise é dos nossos valores, da falta de ética, do nosso individualismo, do assobiar para o lado, do não exercício pleno das nossas funções e responsabilidades.

A crise é nossa e não dos outros. A crise é também a oportunidade de reconstrução.

Não desista de ser honesto!

JOSÉ MARQUES VIDAL

presidente do PS/Águeda

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