Para os dois diretores das escolas secundárias de Águeda (Adolfo Portela e Marques de Castilho) falta informação, neste momento, para preparar o regresso à escola dos alunos do 11º e 12º. anos

“Faltam ainda algumas informações necessárias à organização destas atividades, nomeadamente o número de alunos por sala ou a regra para o determinarmos”, refere Henrique Coelho, da Escola Secundária Adolfo Portela (ESAP), considerando que essa informação é importante não só por questões de saúde, mas também pela determinação do número de professores necessários para cada turma/disciplina. “Existindo turmas com 27, 28 ou 29 alunos, se tivermos que as dividir em dois ou três grupos, temos que, em algumas disciplinas, substituir o professor da turma por outro que exista na escola ou que venha a ser contratado”, alerta o responsável, acrescentando que “há professores que só têm turmas destes anos de escolaridade e não podem passar a lecionar o dobro ou mais das horas/aulas do seu horário normal” e que “os que têm menos turmas destes anos têm turmas de outros onde continuam a lecionar mesmo à distância”. “No final do ano letivo, a substituição de um professor nestas disciplinas não é uma boa solução”, defende Henrique Coelho, lembrando que o decreto-lei 20/2020 publicado a 1 de maio prevê um regime excecional de proteção de imunodeprimidos e doentes crónicos, “o que pode levar a que alguns professores não venham a lecionar presencialmente”.

FUTUROS CENTROS DE TRANSMISSÃO?

“Embora os jovens de 16 e 17 anos possam vir a desenvolver sintomas mais ligeiros resultantes da infeção pelo vírus, parece que infetados terão os mesmos níveis de vírus que os adultos… esperamos todos que as escolas não venham a funcionar como centros de transmissão da covid-19”, alerta, por fim, Henrique Coelho.
Também o diretor da Marques Castilho, Francisco Vitorino, considera que as escolas carecem ainda de orientações claras sobre “questões essenciais inerentes ao processo como a métrica a respeitar em matéria de distanciamento social, número de alunos por sala, cargas horárias a cumprir, organização de horários, etc”. “No momento em que lhe estou a responder, não recebemos ainda essas orientações, mas estou certo que encontraremos as melhores soluções para mitigar eventuais riscos”, referiu.
Também no caso da Marques de Castilho, o edifício é suficientemente grande para fazer uma gestão adequada da ocupação de salas, contudo – alerta Vitorino – falta a informação para organizar horários, de modo a reduzir ao máximo o tempo de permanência dos alunos na escola.

MUITAS PERGUNTAS SEM RESPOSTA

“Não sabendo o número de horas semanais a cumprir (se a carga horária a cumprir for diferente daquela que naturalmente as disciplinas já têm), é difícil determinar se o horário dos docentes comportará um e eventual desdobramento de turmas por necessidade de reduzir o número de alunos por sala”, refere o diretor da Marques Castilho, alertando para o facto de todos os professores estarem a cumprir o seu horário com ensino à distância, “pelo que o desdobramento de uma ou mais turmas poderá duplicar o número de horas semanais de uma disciplina”.
Como se organizará o serviço em função disto? Deverá um docente deixar de lecionar à distância a uma ou mais turmas para poder lecionar presencialmente a estas? Sendo certo que alunos do ensino profissional também podem ter aulas de preparação para exame, se for essa a sua vontade, que professores poderemos afetar a esse apoio? Haverá possibilidade de contratação de mais professores? Se tal for possível, é aceitável que um novo docente pegue, à distância, numa turma com a qual não tem qualquer relação pedagógica para lecionar até 26 de junho? “São questões para as quais não temos resposta, mas se irão colocar com toda a certeza”, garante Francisco Vitorino.

E A QUESTÃO DOS TRANSPORTES?

Mas o diretor da Marques de Castilho alerta para um outro problema, a questão dos transportes, lembrando que a câmara municipal necessita destas informações para poder delinear as respostas adequadas. “O mais adequado, na minha opinião, seria a possibilidade de podermos colocar turmas a funcionar no período da manhã e outras no período da tarde, isso iria reduzir muito o risco dos contactos e permitiria uma melhor gestão do serviço docente”, defende Francisco Vitorino, sublinhando que “tudo isto carece de tempo e de análise cuidada, pelo que quanto mais demorarem as respostas, mais difícil se torna encontrar as soluções mais ajustadas”.

(reportagem completa na edição da semana de 6 de maio de 2020)

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