Águeda continua a acolher o ciclo de exposições e conversas “O Desenho como Pensamento”, patente em vários locais da cidade até 18 de maio de 2021. Sábado, inaugura uma exposição coletiva e três individuais que incluem grandes artistas nacionais. O acesso é gratuito.

Júlio Pomar, falecido a 22 de maio de 2018, está representado na exposição coletiva com uma obra. Foi um artista plástico de enorme reputação em Portugal. Pertenceu à terceira geração de pintores modernistas portugueses, detentor de uma obra nas áreas do desenho e da pintura, da cerâmica, da gravura e da escultura, como também da escrita.

Desenho de Júlio Pomar em exposição no Centro de Artes de Águeda

A exposição coletiva reúne obras de gente importante do panorama artístico, como Alberto Carneiro, Ângela Ferreira, António Bolota, Fernanda Fragateiro, Joana Escoval, Jorge Feijão, Julião Sarmento, Luisa Cunha, Luís Paulo Costa, Nuno Sousa Vieira, Pedro Tropa, Rita Ferreira, Rita Gaspar Vieira, Rui Chafes, Rui Sanches, Sara Bichão, Sara Chang Yan e Teresa Segurado Pavão.

Esta exposição coletiva tem o nome de “Mais nada se move em cima do papel” e a curadoria de Sara Antónia Matos. A inauguração está marcada para sábado, às 18 horas, do salão expositivo do Centro de Artes de Águeda. Estará patente até 18 de abril de 2021.

A curadora da exposição coletiva, Sara Antónia Matos, é diretora do Atelier-Museu Júlio Pomar desde 2012, assumindo a sua orientação artística e executiva. Publica regularmente em catálogos e revistas de arte e é coordenadora editorial da coleção Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar.

A exposição coletiva “Mais nada se move em cima do papel” adota para título o primeiro verso de um poema de Al Berto e reúne obras de artistas que ao longo dos anos, nos seus percursos e linguagens próprias, têm trabalhado o desenho como um registo indisciplinado, em alguns casos transversal às suas práticas. As obras em exposição dão a ver que o desenho traduz uma condição anterior, pouco tangível, equiparável ao pensamento, como se o gesto ou a intuição que precede a inscrição do traço se movesse ou pairasse acima do papel, para depois se plasmar em suportes bidimensionais e tridimensionais, ganhar corpo e adquirir formulações escultóricas, sonoras, atmosféricas, espaciais.

MAIS TRÊS EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

O ciclo “o desenho como pensamento” tem incluído desde setembro uma seleção de exposições de alguns dos mais conceituados artistas nacionais que privilegiam o desenho na sua obra. Integra 18 exposições individuais, uma exposição coletiva, uma exposição da coleção Norlinda e José Lima e seis conversas temáticas. O acesso ao público é gratuito.

Este sábado, mais três artistas inauguram exposições individuais: João Louro, AnaMary Bilbao e Tiago Baptista. Têm a curadoria de Alexandre Baptista. Neste dia (14 de novembro) será também lançado o livro do ciclo “O Desenho como Pensamento”.

Tiago Baptista inaugura “Desenho Sumido” às 16 horas, no Espaço Santos e às 16h30 na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA); AnaMary Bilbao inaugura “From the Ground Up” às 17 horas no Salão de Chá da Alta Vila; João Louro inaugura “Linha de Água” às 17h30 na Sala Estúdio do Centro de Artes de Águeda. Estão patentes até 30 de dezembro.

APRESENTAÇÃO DO CICLO

O desenho faz parte de um pensamento visual que move o trabalho do artista. A obra de arte nasce como uma interação entre visão e pensamento, sendo corporizada grande parte das vezes através do recurso a este meio de registo.

As imagens desencadeiam processos no nosso cérebro que as palavras não reconhecem. Desenhar não é apenas um processo artístico, é também pensamento. É apropriar-se da realidade, dar-lhe forma. O desenho é uma das formas mais antigas e perfeitas de interpretação e criação do mundo.

O Desenho como Pensamento” contempla no seu programa um conjunto de exposições em que diversos artistas, distintos na sua linguagem conceptual, privilegiam o desenho na sua obra, não só com o registo gráfico bidimensional inscrito num suporte físico tradicional – o papel – como ainda numa representação mais projectual, tridimensional, com recursos a meios tecnológicos e outros tipos de suportes, abrindo assim a possibilidade de novas leituras e discussões. A isto, acresce, um ciclo de conversas que versam questões várias relacionadas com o desenho, tendo cada uma um grupo de convidados específicos.

FOTO DE TOPO – Desenho de Pedro Tropa, em exposição no Centro de Artes de Águeda

Centro de Artes de Águeda
Centro de Artes de Águeda

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *