Os sete rios, as ribeiras e a lagoa da Pateira de Fermentelos, que entremeiam com povoações desde os montes da serra até à planície ribeirinha, estabelecem em Águeda uma malha hidrográfica de 455 hectares (cada hectare corresponde a 10 mil m2) com imenso potencial. O maior município em área do distrito de Aveiro possui essa riqueza natural mas nunca teve uma visão estratégica que a aproveitasse. Assegurando biodiversidade rica, controlando melhor as cheias e abrindo caminho para uma economia mais sustentada, pois favoreceria o equilíbrio entre a riqueza florestal, a agricultura biológica e os dividendos resultantes da atividade turística

A equipa técnica que elaborou o primeiro plano diretor municipal (PDM), em meados de 90, enfatizava que Águeda possuía recursos hídricos para se abastecer a si próprio e para vender a municípios vizinhos, que se debatiam com escassez. Este século, do conhecimento científico emerge uma visão mais alargada, a exigir uma intervenção mais profunda e também mais complexa, assente na cooperação entre muitos interesses e níveis de decisão.

O bem comum – sustentabilidade ambiental – e o aproveitamento económico são conciliáveis se a riqueza hídrica existente no concelho de Águeda obedecer a um plano até hoje inexistente. Pelo contrário, a realidade atual desbarata o património!

Este é o entendimento dos vários especialistas em ambiente e turismo, de agentes económicos e até de políticos que fomos escutando ao longo deste último ano. O Região de Águeda visitou também, nos meses mais recentes (ainda a pandemia não se havia instalado), intervenções pontuais e outras de amplitude regional, verificadas em Portugal e na vizinha Espanha.

Há exemplos de comunidades em Espanha que recuperaram a economia local à custa de projetos turísticos ligados ao património ambiental, com intervenção alongada no tempo. À custa disso há povoações típicas recuperadas, comércio tradicional a abrir, atrações turísticas complementado o património histórico herdado e toda a atividade associada à gastronomia local. A economia local ganhou dinâmica própria!

FERROL, IRMÃ DE ÁGUEDA

As vias pedestres e cicláveis, entretanto também surgidas em Portugal, foram desenvolvidas em respeito pelos ecossistemas locais. Na Galiza, a província da Corunha é o mais recente exemplo. Entre esta capital provincial e Ferrol (cidade irmã de Águeda), separadas por 50kms, realizou-se uma intervenção profunda nas margens dos cursos de água ali existentes. Tal como a bacia hidrográfica do Vouga – a que Águeda pertence, e que inclui a Ria de Aveiro – trata-se de uma área com recursos hídricos de excelência.

Se a Ria de Aveiro dá identidade à CIRA/Região de Aveiro, a bacia do Vouga e toda a sua malha de influência potencia uma área geográfica que em 70 kms une o litoral (Praia da Barra) ao cume da serra do Caramulo. Com uma intervenção coerente, toda a região beneficiava.

Em Portugal, o Governo acaba de anunciar que pretende reabilitar 6 mil kms de ribeiras. Há já, todavia, casos isolados de valorização dos cursos de água e suas margens, promovidos na maioria dos casos pelos municípios. Torres Vedras, Proença-a-Nova (ribeiras), rio Uima em Fiães (parque com passadiços) são alguns dos exemplos. Em Torres Vedras (centro da cidade) as margens do rio foram recuperadas e foi dado espaço à natureza, até então ocupado por construção.

Santarém é apresentado como um “excelente trabalho”. O engenheiro do ambiente André Fernandes, que tem trabalho desenvolvido no terreno, referiu que o Município ribatejano constituiu uma equipa “dedicada exclusivamente” ao ambiente e à reabilitação das margens. As chamadas galerias ripícolas. “Têm-se dedicado mais às ribeiras pequenas, que passam por aldeias locais, mas já executaram alguns projetos no Rio Tejo”.

Águeda tem mais de 1500 quilómetros de linhas de água

RECURSOS HÍDRICOS DE ÁGUEDA

O município de Águeda encontra-se integrado na Bacia Hidrográfica do Vouga. Aos rios Vouga, Águeda e Alfusqueiro, juntam-se o Cértima, o Marnel e o Agadão, que percorrem áreas importantes do território, e ainda o Caima, no limite do município com Albergaria-a-Velha mas que aflui ao Vouga entre Sernada e Carvoeiro.

O rio Vouga nasce na serra da Lapa (freguesia de Quintela, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu), a cerca de 930 metros de altitude. Dá nome à bacia, apresentando-se como o rio principal. Perfaz cerca de 3.635 km2. Estende-se ao longo de 147,9 km, dos quais 42,7 km no concelho de Águeda (onde aflui o Marnel).

O rio Águeda, principal afluente do Vouga, nasce na serra do Caramulo (Monteteso, freguesia de Varzielas, concelho de Oliveira de Frades) resultando da junção das ribeiras de Monteteso com Bezerreira. Com uma bacia de 971,8 km2, percorre cerca de 35km até confluir com o rio Vouga junto de Eirol. A cerca de 2,5 km a jusante, o rio Cértima (43 kms de comprimento) conflui com a Pateira de Fermentelos. Além deste afluente, ao rio afluem as águas do Alfusqueiro (em Bolfiar) e do Agadão (junto a Castanheira do Vouga), além de ribeiras que se destacam pela sua dimensão como as de Belazaima e das Dornas.

O Alfusqueiro nasce em Carvalhal de Vermilhas (concelho de Vouzela), atravessa os municípios de Vouzela, Oliveira de Frades, Sever do Vouga, e a freguesia do Préstimo em Águeda, percorrendo 49 Kms. O rio Agadão tem um comprimento de 22.8 kms.

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